Personagem conhecido nos bares e redutos boêmios da capital pernambucana, a atriz e perfomer Elza Show, que atua desde os anos 60, será uma das homenageadas do Recifest, festival de cinema LGBTQI+, que inicia na próxima sexta-feira (26) e segue até o dia 31. Com uma programação diversificada, o evento promove o debate em torno da diversidade sexual e de gênero, com a exibição de 30 filmes curta-metragens de vários estados do país – que estarão disponíveis para visualização e votação popular por cinco dias – um longa-metragem surpresa, duas oficinas (Drag Queen Curso e Documentando) e rodas de diálogos.
Elza tinha apenas 16 anos de idade quando saiu de casa por ser LGBT, e já nos anos 60 interpretou cantoras populares do imaginário brasileiro. Desde então já realizou inúmeras apresentações musicais e performances, tornando-se uma mulher conhecida nos bares, nas boates e saunas da cidade do Recife. Hoje, com mais de 70 anos de vida, é muito respeitada pelo seu trabalho artístico como intérprete das grandes divas da música popular, sobretudo Elza Soares. Além de Elza, as também artistas trans, Sharlene Esse e Raquel Simpson completam a lista dos agraciados desta edição.

Uma das novidades deste ano, é que as homenageadas, que estão impossibilitadas, por conta da pandemia, de qualquer apresentação em locais públicos, receberão um pagamento pelo direito de imagem. Segundo Carla Francine, uma das produtoras do festival, junto com Rosinha Assis, a produção foi até a casa da Elza, a encontrou em uma situação mais vulnerável e resolveu se unir para criar uma campanha em prol da homenageada. “Estamos vivendo um ano atípico, de pandemia, então queremos realmente ajudar. Essa homenagem será financeira, nada mais justo. A escolha deste ano foi bem especial”, informa.
Mauro Lira, coordenador de produção do Recifest, encabeçou a campanha de arrecadação, durante os primeiros contatos, em prol de Elza. “Fizemos a seleção das três e precisei visitar Elza pessoalmente, pela falta de contato, e ao chegar me surpreendi com a situação de vulnerabilidade que a encontrei. De cara fiz um vídeo e iniciei uma campanha para ajudá-la que teve um retorno surpreendente. Conseguimos dinheiro para fazer pequenas reformas na casa, para alimentos e outros itens de necessidade básica. Foi uma verdadeira mobilização”, detalha Mauro.
Ele completa ainda que a escolha das três, para receber as homenagens da edição do evento em 2021, foi principalmente por serem nomes ícones do movimento trans no Recife. “As três estão entre as trans mais antigas do Recife. Todas sofrendo o impacto causado pela dificuldade das apresentações e instabilidade financeira”, pontua.
O evento é uma realização das produtoras Olinda Produções e Casa de Cinema de Olinda, com incentivo da Lei Aldir Blanc, Fundarpe e Secretaria de Cultura do Governo do Estado de Pernambuco. A programação completa, para maiores de 16 anos, está no www.recifest.com e no instagram @recifestoficial.
SOBRE AS HOMENAGEADAS
Elza Show é atriz, Performer, Elsa Show é uma mulher trans das pioneiras em Pernambuco. É um exemplo de luta e resistência, mostrada com maestria no documentário “Eternamente ELZA” dos diretores Alexandre Figueirôa e Paulo Feitosa (PE).
Sharlene Esse começou sua vida artística em 1979. Participou de um curso na sala Clênio Vanderlei na casa da Cultura em 1980, logo em seguida participou da peça de coelho neto os mistérios do sexo direção Valdir Coutinho. Participou dos espetáculos: “Fique a vontade” de Péricles Gouveia e Caju, “Salve-se quem puder” de Roberto Costa e Cristiano Lins; “É luxo só” de Cristiano Lins e Antônio Nogueira, “Viva a rainha do rádio” de Boris Trindade; “O drama das camélias” de Fábio Costa e Américo Barreto. “Assembleia de deusas” de Américo Barreto e Fábio Costa, “Programa Cesar Alencar a era do rádio” de Chopely Santos, “Cabaré diversiones” de Henrique Celibi, “O botequim da Elizeth Cardoso” e “É Tudo Verdade” em comemoração dos seus 40 anos de carreira. Fez participação no show de Almerio e ELAS e participou do filme “Os últimos românticos do mundo”, de Henrique Arruda onde recebeu o troféu madame satã pela melhor atuação.
Raquel Simpson é artista trans já trabalhou fazendo shows nas boates Arara, Mister e MKB, sendo uma das grandes artistas trans do Brasil, chegando a fazer performances no Programa Silvio Santos, do SBT. Participou “Tal e Qual nada igual”, dirigida por Guilherme Coelho com texto de Jomard Muniz de Brito; “Salve-se quem puder” de Roberto Costa e Cristiano Lins; “Viva a rainha do rádio” de Boris Trindade, dentre outros. No cinema, integrou o elenco do filme “Paraíba Mulher Macho”, dirigido por Tizuka Yamazaki. Também participou do filme “Os últimos românticos do mundo”, de Henrique Arruda. Raquel foi a personagem, escolhida pelos alunos da Oficina Documentando, realizada no Recifest de 2018, que resultou no curta “Garota, bem garota”.





