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Duo Repercuti lança disco de percussão sinfônica e sonoridades afro-brasileiras

17 de outubro de 2022
em Acontece
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 O Repercuti, formado por Emerson Coelho e Emerson Rodrigues (Pequeno), apresenta, no dia 18 de outubro, no Teatro Marco Camarotti, do Sesc Santo Amaro, o show do disco de estreia: “O Som das Baquetas”. Primeiro e único duo de percussão de Pernambuco, criado há seis anos, o Repercuti faz um trabalho pioneiro na música instrumental, propondo o diálogo da percussão sinfônica com instrumentos afro-brasileiros. “O Som das Baquetas” tem apoio do Rumos Itaú Cultural (2019-2020). Os ingressos estão à venda na Sympla.

Recém-disponibilizado nas plataformas digitais (no dia 10/10), “O Som das Baquetas” reúne seis composições dos pernambucanos Amaro Freitas, Beto Hortis, César Michiles, Henrique Abino e Laís de Assis, além do próprio Repercuti. A direção geral é do baiano Aquim Sacramento (UFBA) e a produção é de Tainá Menezes. A Zarina Moda Afro faz o styling.

“Recebemos a proposta do Rumos Itaú para mudar o projeto inicial, que era de circulação, para o de gravação de um álbum. Nosso desejo era o de lançar obras inéditas de compositores locais e ter uma equipe com a maioria de pessoas pretas no projeto”, revela Emerson Coelho.

Emerson Rodrigues comenta a importância de fazer um trabalho autoral no cenário desafiador da música no Brasil. “É um projeto que permite que a gente faça do jeito que sempre quis; que nos coloquemos no lugar de criadores, dando a nossa identidade e, quem sabe, inspirando outros percussionistas”, pontua o músico, mais conhecido como Pequeno.

O DISCO

A principal característica de “O Som das Baquetas” é ser voltado para a música instrumental executada com qualidade técnica e criatividade, dando liberdade aos artistas de compor e improvisar. “Priorizamos compositores que fazem música instrumental com excelência. Optamos por deixá-los livres, apenas falamos os instrumentos que tocamos. Eles escolheram o caminho estético a seguir”, diz Coelho.

O disco abre com a homônima “O Som das Baquetas (Ihin Orun)”, de autoria do duo. Eles utilizam vibrafone, agogô triplo, cowbell, marimba, bongô e china. A expressão Ihin Orun, que acompanha o título, significa “o som do ferro” e remete aos ritmos afro-brasileiros. Sob influência de compositores como John Cage e o minimalista Steve Reich, os músicos usam compassos mistos e defasagens rítmicas, criando efeitos com ferro, com o arco. Como se contassem “uma história” através do som, criam um diálogo com várias camadas sonoras.

A segunda faixa é “Chick Corea Forever”, homenagem de Amaro Freitas ao também pianista norte-americano Chick Corea, lançada como single. Os arranjos são de Henrique Albino, que propõe uma separação de vozes explorando as regiões graves e agudas dos instrumentos, distribuindo entre quem faz o acompanhamento e o solo, oferecendo o diálogo de timbres. Pequeno toca marimba de cinco oitavas e Emerson Coelho, um vibrafone, com o Mi grave.

O acordeonista Beto Hortis, um dos mais respeitados do País, assina o “Chorinho Bom”, que consegue reunir choro com samba, ganhando vida com vibrafone, pandeiro, marimba, tamborim e surdo. “Convidamos Beto pela excelência com que compõe. É um músico experiente, que cria de valsas a frevos, e com quem já tocamos em concertos”, cita Coelho.

O disco segue com “Pakiparabaki”, de Henrique Albino. Trata-se de uma peça longa, com mais de nove minutos e o maior número de instrumentos: marimba, vibrafone, alfaia, caixa, chimbal, prato e um ilu, este último, típico do candomblé nagô. “Henrique é um compositor diversificado, com uma técnica incrível de composição e execução musical, e foi uma figura essencial neste disco. Ele nos desafia a usar o recurso das sonoridades estendidas, que permite extrair sons não convencionais dos instrumentos”, ressalta Pequeno.

A mais intimista do disco, segundo os integrantes, é “Anjo Negro”, de César Michiles. Exímio flautista, com uma carreira construída entre o frevo e os shows com Naná Vasconcelos – hoje à frente da Transversal Frevo Orquestra -, Michiles guardava a obra inédita e atendeu ao chamado do Repercuti. Apenas o vibrafone e a marimba são utilizados. “Foi uma das primeiras pessoas que a gente pensou para o trabalho. A composição difere das outras, pelo clima mais “amigável”, tonal. É como um ponto de descanso no disco”, explica Coelho.

Um dos grandes nomes femininos da música instrumental atual de Pernambuco, Laís de Assis assina “Nó de Imbuia”, com os dois integrantes executando a marimba, tocando com mãos entrelaçadas, com braços sobrepostos, e ainda Coelho no tambor falante. O nome deriva da madeira nobre com a qual é confeccionada a viola, instrumento maior de Laís.

O DUO

Criado em 2016, quando os integrantes cursavam Bacharelado em Percussão na UFPE, o Repercuti inova no formato incomum para a percussão. Emerson Coelho e Emerson Rodrigues (Pequeno) unem-se pelo desejo de refletir sobre a prática artística no universo da percussão, com foco no estudo de obras de autores variados, buscando experimentar e propor o diálogo da percussão sinfônica e ritmos afro-brasileiros.

O primeiro contato com a música chegou para os artistas de forma distinta: Pequeno cresceu em contato com a música sinfônica na Orquestra Criança Cidadã; Coelho desde a infância teve contato com os ritmos e as tradições afro-brasileiras. Ambos passaram por diversos grupos e orquestras ao longo da carreira (Orquestra Sinfônica Jovem, Orquestra Sinfônica do Recife, Orquestra Sinfônica da Paraíba e Grupo de Percussão do Nordeste, entre outros), atuando juntos em formações como a Orquestra de Câmara de Pernambuco.

O Repercuti participou de dezenas de festivais pelo Nordeste, concertos e espetáculos como o “Baile do Menino Deus”. Em 2019, além da seleção no Rumos Itaú Cultural 2019-2020, integrou os Espetáculos Musicais do Espaço Cultural BNDES/Temporada 2019- 2020 (RJ).

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