Audacioso e cheio de identidade, Vinícius Tavares desloca o gênero embolada no clipe e single de estreia, MÚSICA DE BAILINHO, lançados nesta quarta-feira (22). A faixa, de 2min9s, abre caminhos e integra o EP ZÉ DO CÃO – CAP. 01 (Facção de Arte), que reúne, ao todo, sete faixas e será lançado no próximo dia 1º de maio, em todas as plataformas digitais. Trata-se de um trabalho sonoro que experimenta a costura de ritmos nordestinos — a exemplo do repente e do samba de coco — aos beats da música eletrônica e camadas de samples do cinema nacional, tensionando as distinções entre cultura popular e música contemporânea.
Em MÚSICA DE BAILINHO, o artista de Toritama, município do Agreste Setentrional, localizado a 170 km da capital, Recife, inaugura seu universo sonoro e imagético. Considerada por Tavares a faixa mais pop do EP, a embolada não perde o pulso oral, mas ganha grave, síncope e pista. Sobre bases de dancehall, sons circulares e buzinas eletrônicas, os versos correm ligeiros, como se o improviso percussivo encontrasse o paredão. A atmosfera evoca as performances de vogue das cenas de ballroom, mas o chão permanece agrestino. É Brasil: no chacoalhar do caxixi, na pisada do tamanco do coco, na corporeidade que mistura tradição e performatividade.

Sobre o universo lírico da composição, Vinícius contextualiza: “É uma festa onde todo mundo está se divertindo. Ela surge do ponto de vista de uma pessoa que vai para os afters [uma festa após a festa]”. Na letra, ele desenha uma paisagem noturna de euforia e desejo. “Na brincadeira, noite babadeira/ segura sonzeira, balança poeira/ só as bandolera, tamanco no chão/ Samba na taba, cipua o refrão”, diz nos versos iniciais. Na contramão, o clipe contou com um set diurno e bastante solar. “Os visuais vão subverter isso. Zé do Cão é bem dual. Ele vai brincar muito com as expectativas”, afere o artista.
Sob a direção de fotografia de Vinícius, em codireção com a multiartista Virgínia Guimarães, ele passeia entre performances de dança e brincadeiras. Além dos dois, a artesã Maria Laísa completa o elenco. A bandeira do Brasil e a Toyota Bandeirante, ícone recorrente no cotidiano agrestino, não aparecem como ornamento, mas como inscrição geográfica da narrativa. Já o chapéu que veste o palhaço sério — capa do EP inspirada no Mateu do reisado do congo — funciona como síntese visual do projeto: tradição popular convertida em signo pop. Ao refletir feixes de luz, o adereço remete ao globo espelhado das pistas e transforma o folguedo em terreiro futurista





