A fotografia contemporânea produzida no Agreste pernambucano será tema de um encontro aberto ao público no dia 20 de maio, a partir das 19h, no Armazém da Criatividade, em Caruaru. A atividade apresenta os resultados da pesquisa TRAMA: imagens que tecem territórios, dedicada ao mapeamento de fotógrafos, fotógrafas, coletivos, obras e narrativas visuais da região.
Financiado pelo Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura (Funcultura), o estudo busca ampliar a visibilidade dessa cena, reconhecendo os modos como artistas e coletivos constroem imagens, memórias e narrativas a partir do território. A pesquisa foi desenvolvida pela professora Juliana Leitão, do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Inovação Social (Póscom) e do curso de Comunicação Social do Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Caruaru, sob orientação da também docente Daniela Bracchi. Também participaram do projeto as estudantes Talita Matos Ribeiro, Izabel Marluce Silva Lemos e Daniele Cristina Santos Leite.
Durante o encontro, serão compartilhadas reflexões sobre a cena fotográfica local e os caminhos possíveis para fortalecer a circulação, o reconhecimento e o registro dessas produções. A participação é gratuita e não é necessário realizar inscrição prévia.

Ao longo da investigação, a pesquisa reuniu produções autorais vinculadas ao Agreste e com circulação pública em diferentes plataformas, prêmios, feiras, salões, fotolivros e iniciativas independentes. O levantamento identificou cerca de 40 fotógrafos, fotógrafas e coletivos, com atuação em cidades como Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe, Gravatá, Bonito, Pesqueira, Belo Jardim, Garanhuns e Surubim, entre outras localidades.
O mapeamento dos fotógrafos, fotógrafas e coletivos foi realizado a partir da identificação de produções autorais vinculadas ao Agreste pernambucano e com circulação pública em diferentes espaços, como Instagram, catálogos do Prêmio Pernambuco de Fotografia, Feira Diagrama, Salão de Fotografia de Pernambuco, Behance, Mapa Cultural de Pernambuco, sites, blogs, fotolivros e iniciativas independentes.
A partir desse levantamento, a pesquisa identificou nomes e organizou os principais resultados em três categorias analíticas: cultura popular, reunindo trabalhos voltados a manifestações tradicionais, religiosas, festivas e cotidianas; coletivos fotográficos e processos históricos de revelação, com destaque para experiências colaborativas e técnicas como cianotipia, antotipia e clorotipia; e retratos e autorretratos, eixo em que o corpo, a intimidade, a identidade e a presença aparecem como campos de elaboração visual e política.

De acordo com a pesquisadora Juliana Leitão, mais do que formar uma lista de nomes, a pesquisa construiu uma cartografia visual do território. “O que nos interessava era perceber como a fotografia produzida no Agreste vem criando outras formas de narrar a região. Não se trata de um levantamento fechado, mas de um mapa em movimento, aberto a novas imagens, pesquisas e presenças”, explica.
O seminário pretende compartilhar essas descobertas com artistas, pesquisadores, estudantes, produtores culturais e demais interessados na relação entre imagem, território, memória e representação. A proposta é abrir uma conversa pública sobre os modos como a fotografia produzida no Agreste tem disputado imaginários, deslocado estereótipos e afirmado outras formas de ver e narrar a região.
Com o acrônimo TRAMA, a pesquisa articula as dimensões de Territórios, Representações, Arte, Memória e Afetos, compreendendo a fotografia não apenas como registro, mas como prática simbólica, política e sensível. Nesse sentido, o seminário também marca um momento de devolutiva pública, reafirmando o compromisso da pesquisa com a circulação do conhecimento e com a valorização das produções visuais realizadas fora dos grandes centros.
Serviço
Seminário de divulgação dos resultados da pesquisa TRAMA: imagens que tecem territórios
Quando: 20 de maio, a partir das 19h
Onde: Armazém da Criatividade, Caruaru, R. Jorn. Aníbal Fernandes – Nossa Sra. das Dores, Caruaru – PE, 55002-310.
Realização: Pesquisa TRAMA
Financiamento: Fundo Pernambucano de Incentivo à Cultura — Funcultura





