Durante anos, o arquiteto Filipo Madeira flertou com o design de produto. À frente do escritório homônimo, com sedes em Recife (PE) e São Paulo e projetos em todo o Brasil, desenvolveu peças exclusivas para seus clientes diante da dificuldade de encontrar no mercado objetos que traduzissem exatamente a atmosfera desejada. Agora, esse percurso ganha um novo capítulo com o lançamento de sua primeira coleção autoral para o mercado: Entre Paralelos, desenvolvida para a Piu Móbile.

A coleção parte da ideia de eixos do tempo — um conceito que entende passado, presente e futuro como estados que coexistem dentro de nós. “Com o tempo, percebi que meus desenhos deixaram de ser apenas complementos da arquitetura e passaram a contar histórias próprias. A coleção nasce desse processo natural: transformar memórias, emoções e reflexões em objetos que possam existir muito além dos projetos onde surgiram”, conta Filipo.
Enquanto algumas peças nasceram em projetos de arquitetura, outras foram esboçadas durante viagens, em anotações feitas em voos ou em momentos pessoais. Depois, passaram por centenas de estudos de proporção, ergonomia, materiais e processos construtivos. A tecnologia teve papel importante nesse desenvolvimento, com o uso de ferramentas digitais e inteligência artificial para testar volumes e possibilidades formais, sempre conciliando experimentação tecnológica e produção artesanal.


Os lançamentos são as poltronas Frevo, Lua, Forasteiro e Voar; a cadeira e a banqueta Caruaru; a poltrona e sofá Estopim; os sofás Arrepio, Mainha, Exagero, E Agora? e Fifo; e as camas Amanhã, Baião e Dengo.
Referências como os ritmos do frevo e do baião, a cidade de Caruaru, o afeto familiar, os deslocamentos entre diferentes lugares e identidades, além de temas como liberdade e acolhimento, orientam o desenho e a narrativa das peças.


“Nunca pensei nesta coleção apenas como um conjunto de móveis, mas como capítulos de uma mesma investigação sobre memória, comportamento e identidade”, afirma o arquiteto.
O sofá Fifo, por exemplo, nasceu de seu apelido de infância, enquanto a poltrona e o sofá Estopim homenageia os grandes mestres que inspiraram sua trajetória. “Estopim representa aquela primeira faísca criativa que muda tudo. Seu desenho inflado reforça essa sensação de expansão, intensidade e energia criativa prestes a transbordar”, explica.


Já a poltrona Voar aborda temas como transformação, liberdade e coragem para seguir novos caminhos. “O nome se conecta ao desenho da peça de forma sutil, através de linhas leves e abertas que sugerem movimento sem serem literais. Mais do que remeter ao voo, ela representa o momento em que a gente entende que crescer também é aprender a confiar em si”, conclui.





