O frevo está saindo dos espaços tradicionais de apresentação para chegar mais perto de crianças e adolescentes do Recife. Por meio do projeto “Arruando nas Escolas – A Importância do Frevo”, a Orquestra Arruando percorre unidades da rede municipal com concertos-aula gratuitos que reúnem música, dança e história. Depois da Ilha do Leite e da Iputinga, a iniciativa segue por unidades do ensino da rede municipal, em outros bairros da cidade ao longo de outubro.
A segunda apresentação aconteceu nesta quarta-feira (14), na Escola Municipal Diná de Oliveira, na Iputinga, Zona Oeste do Recife. Estudantes, professores e profissionais da unidade acompanharam uma experiência que combinou a sonoridade de sopros, harmonia e percussão com os movimentos dos passistas e informações sobre a origem e a importância do frevo. Mais do que espectadores, os alunos conheceram de perto artistas que mantêm viva a identidade cultural de Pernambuco.

A atividade ganhou significado especial na unidade, que desenvolve formação musical por meio de sua banda – o que aproximou os conteúdos apresentados pela orquestra das experiências já vivenciadas pelos alunos.
Para a vice-gestora Maria Aguiar, iniciativas assim ampliam o repertório dos estudantes, especialmente os de comunidades com acesso mais restrito à arte. “O frevo é cultura pura, e é importante eles terem esse contato, principalmente as nossas crianças que moram em comunidade e têm contato diário com outros tipos de música”, destacou.
A gerente da Regional Oeste, Magda Maranhão, também acompanhou a apresentação e defendeu o acesso dos estudantes à diversidade cultural pernambucana. “Foi sensacional. No Diná, foi bem peculiar porque os meninos têm contato com a música pela banda da própria escola. O acesso à cultura não é apenas ao passinho, e sim ao frevo, ao cavalo-marinho, ao maracatu, a todas as nossas musicalidades”, afirmou.

Música, educação e pertencimento
Um dos momentos de maior significado foi a participação de Pedro Pagne, trombonista da orquestra e maestro da banda da escola. “É um prazer apresentar o frevo para meus alunos com a própria orquestra em que trabalho. Durante as aulas, sempre falamos sobre o frevo, o maracatu, todos os ritmos pernambucanos, e trazer isso para eles vivenciarem conosco foi muito bom”, contou.
O projeto teve início no dia 9, na Escola Municipal Reitor João Alfredo, na Ilha do Leite. Em cada unidade, os concertos-aula reúnem três elementos: a execução musical da orquestra, as aulas dos passistas e a contação de histórias sobre o frevo e outras manifestações culturais de Pernambuco.
Para Nilo Otaviano, produtor, cantor e apresentador da orquestra, o contato pode despertar interesses que ultrapassam o momento das apresentações. “Levá-lo às escolas é ainda mais especial porque, independente do maior ou menor interesse de cada aluno, esse contato fica na memória. A maioria participa muito e os mais tímidos, ao menos, se balançam ao ouvir o frevo. É disso que precisamos: música nas escolas”, destacou.
Fundada em 2013, a Orquestra Arruando já realizou 68 apresentações públicas. Com a circulação pelas escolas, o grupo amplia sua atuação junto às comunidades, aproximando artistas, educadores e estudantes.
Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan desde 2007 e inscrito na Lista Representativa do Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco em 2012, o frevo ganha espaço no cotidiano dos estudantes e contribui para transmitir conhecimentos e tradições entre gerações.

Próximas apresentações
O projeto segue com apresentações em outras quatro escolas municipais ainda neste mês. Confira a programação:
• 19/10, às 13h10 – Escola Municipal Antônio Farias Filho (San Martin)
• 23/10, às 13h10 – Escola Municipal Nadir Colaço (Macaxeira)
• 26/10, às 13h30 – Escola Municipal Maria Sampaio de Lucena (Ibura)
• 29/10, às 13h30 – EMTI Florestan Fernandes (Ibura)
Todas as apresentações são abertas à comunidade escolar. O projeto integra o Sistema de Incentivo à Cultura (SIC) do Recife, por meio do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), e visa fortalecer o acesso à cultura e a valorização do patrimônio artístico pernambucano.





