Um ano após a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmar que o mundo estava sob ameaça de um novo vírus que mudaria os rumos das vidas das pessoas, a pandemia da Covid-19, em meio a tantas outras coisas, a relação do ser humano com as suas casas, mudou bastante. Isso porque, com as medidas restritivas para tentar estancar o avanço da contaminação da população, o isolamento e o distanciamento social alteraram completamente o jeito de todos se relacionarem com as suas residências. Assim, novas necessidades e, consequentemente, novas tendências começaram a fazer parte do que era visto como conforto e necessidade.

Para quem trabalhava fora de casa, o home office passou a ser mais que uma necessidade, tornou-se seu âmbito de trabalho oficial. Em uma antiga realidade, onde a casa era vista basicamente como o lugar de descanso e interação com a família, adaptar um lugar para o trabalho foi um desafio para muita gente. “Com a pandemia, as pessoas passaram mais tempo dentro de casa, o que incluiu também desenvolver o seu trabalho neste espaço. Gradativamente, foram surgindo novas necessidades, o que incluiu lugares mais iluminados, arejados e realmente projetados, pensados para dar conforto no âmbito do trabalho, com áreas mais amplas e acolhedoras, antropometricamente adaptáveis aos indivíduos que as utilizam; para passar mais tempo com a família, varandas para quem mora em prédios e jardins e áreas externas mais acolhedoras para quem mora em casas”, pontua o arquiteto e urbanista Brunno Marcell.
Quando o tema vai para a cozinha, um cômodo prático e funcional, dentro da realidade dimensional de cada espaço, também precisou ser repensado. “No período em que o isolamento social foi mais rígido, uma das válvulas de escape era ter aventuras culinárias na cozinha. Isso obrigou as pessoas a prestarem um pouco mais de atenção para o espaço e pensar nas necessidades e funcionalidades que podem ser absorvidas a partir de um bom projeto arquitetônico. Hoje, não basta só um eletrodoméstico de última geração, ou apenas algum elemento bonito de destaque, todos querem se sentir acolhidos e parte do ambiente que os cerca, isso sim, é arquitetura”, avalia o arquiteto.

Já no que remete a higiene e praticidade, o fato de deixar os calçados no lado de fora da casa, talvez, tenha trazido para os lares brasileiros a necessidade de incorporar halls, bem comuns nas residências dos Estados Unidos e Europa, por exemplo. “Essa nova forma de pensar a casa, deixando-a cada vez mais funcional lança o nosso olhar para áreas até então pouco valorizadas. Diante do novo hábito de trocar o sapato usado na rua antes de entrar em casa e higienizar as mãos, esse espaço precisa de adaptações para garantir suporte para essas essenciais tarefas”, evidencia o arquiteto. Para lugares onde o pouco espaço é um obstáculo, soluções simples e que precisam de pouca intervenção, podem transformar qualquer cantinho. “Consultar um arquiteto é o primeiro passo para pensar nessas transformações e deixá-las com a sua personalidade, com a funcionalidade que o espaço merece e que o indivíduo necessita”, emenda Brunno Marcell.


Quando o assunto está relacionado ao projeto geral de uma residência, o arquiteto e urbanista tem algumas ressalvas. “Sempre achei essencial a presença de um arquiteto para elaborar espaços adaptados ao ser humano, suas atividades e seu habitat, mas hoje, com as novas necessidades que a pandemia da covid-19 trouxe para a realidade das famílias, vejo que o conhecimento técnico de um arquiteto é realmente indispensável, vital, até porque, é o seu sonho de morar em uma casa funcional e que atenda todas as necessidades, que está em jogo. O aproveitamento dos espaços e a funcionalidade de tudo que será usado, serão vistos de outra forma no pós-pandemia, o que vai desde a escolha de um revestimento que facilite a manutenção e limpeza, passando pela harmonia e beleza das cores e decoração, trazendo aconchego, até a instalação de uma iluminação correta, gerando bem-estar” completa Brunno Marcell.





